Doses, protocolos e decisões clínicas para a rotina reprodutiva da fêmea
Consulta Rápida no CampoInsira as duas medidas do folículo em cruz:
Tamanho atual do folículo (mm) - crescimento médio: 3 mm/dia:
Fichas para imprimir e usar na rotina do haras. Clique para baixar o PDF.
Guia visual para identificar o que você está vendo no ultrassom, da preparação uterina até a formação do corpo lúteo.
Dobras uterinas começando a definir. Ação: Monitorar crescimento folicular.
Imagem de "gomos de laranja" / "roda de carroça". Folículo >35mm. APLICAR INDUTOR AGORA.
Folículos crescem em média 3 mm/dia. É a partir disso que se calcula quando induzir, quando inseminar e quando a receptora deve ovular.
| Quando | O que observar no US |
|---|---|
| 3-1 dias antes | Parede dupla: camada anecoica abaixo da granulosa |
| ~36h antes | Folículo para de crescer |
| Últimas 24h | Granulosa serrilhada · perda do formato esférico · parede apical mais fina · pontos ecogênicos |
Pré-ovulação: o ovário fica mais flácido conforme se aproxima da ovulação, e a égua demonstra mais sensibilidade à palpação (ovário dolorido). Pós-ovulação: sente-se uma depressão palpável na fossa de ovulação. Indica ovulação recente (dentro da janela para IA com sêmen refrigerado).
Três possibilidades:
Após a ovulação, forma-se o corpo hemorrágico (CH), que em 2-3 dias se organiza em corpo lúteo (CL). O desafio no US é diferenciá-lo de um folículo anovulatório (FAH), que luteiniza sem romper.
Anecoico ou trabeculado. Reduz e se organiza em 24-48h → evolui para CL.
Éguas obesas, final da estação, éguas velhas e uso repetido de indutores sem resposta.
É a estrutura que produz progesterona e mantém a gestação. Permanece funcional por ~14-16 dias se não houver gestação. Depois entra em luteólise naturalmente.
Pode ser compacto (homogêneo) ou ter cavidade central. Ambos são funcionais!
ERRO COMUM: Descartar CL com cavidade central, acreditando ser não funcional. É perfeitamente normal em éguas.
Tem edema no útero? → CL não está funcional. P4 já caiu, luteólise já ocorreu ou está ocorrendo. Novo ciclo em curso.
Não tem edema? → CL pode estar funcional. P4 alta bloqueando estrógeno. Se precisar antecipar o retorno ao cio, aplicar PGF2α.
US mostra CL menor, mais ecogênico (branco/brilhante) e formato irregular (triangular vs arredondado). Edema uterino aparecendo confirma que P4 caiu e o novo ciclo iniciou.
O modo B resolve a maioria dos casos. O Doppler acrescenta quando o CL está presente mas o exame em modo B não é conclusivo sobre sua funcionalidade.
| O que você vê no Doppler | Interpretação |
|---|---|
| Sinal colorido abundante, periférico e central | CL funcional |
| Sinal reduzido, periférico apenas | CL em início de regressão |
| Sinal mínimo ou ausente | Luteólise avançada |
Se o edema uterino já tirou a dúvida, o Doppler não é necessário. Reserve para os casos de dissociação (CL presente, sem edema): quando você precisa decidir entre aplicar PGF2α ou aguardar.
| Achado no US | O que é | Conduta |
|---|---|---|
| Folículos pequenos, sem edema | Início de ciclo | Reavaliar em alguns dias. Folículos ainda em crescimento. |
| Folículo ~35 mm + edema grau 3 | Momento de induzir | Aplicar indutor (hCG ou GnRH). Janela ideal. |
| Folículo ~39 mm + edema grau 1 | Próximo da ovulação? | Palpar ovário: flácido? Égua dolorida? Se sim, ovulação iminente. Edema já passou do pico. |
| Estrutura anecoica ou trabeculada (pós-ovulação) | Corpo Hemorrágico (CH) | NORMAL. Reavaliar em 24-48h. Evolui para CL. |
| Estrutura grande, ecogênica heterogênea, persiste | Folículo Anovulatório | NÃO ovulou. Reavaliar em 24h para confirmar. |
| CL + sem edema uterino | CL funcional | P4 alta. PGF2α se precisar antecipar retorno ao cio. |
| CL + edema uterino aparecendo | CL em luteólise | P4 caindo. Novo ciclo em curso. |
| Tamanhos de folículos são exemplos. Cada égua tem seu padrão. | ||
O controle preciso do momento da ovulação é fundamental para o manejo reprodutivo. Permite sincronizar a IA com a disponibilidade do sêmen e maximizar taxas de gestação.
| Parâmetro | hCG | GnRH (Deslorelina) |
|---|---|---|
| Tempo p/ ovulação | 32-34h | 36-48h |
| Via | IV (bula) | IM |
| Vantagem | Mais rápido. Mais confiável. | Não cria anticorpos. Custo menor. |
| Limitação | Refratariedade após uso consecutivo (ver ficha hCG, Cap. 4) | Maior taxa de falha |
| Caso ideal | 1ª ovulação do ano. Éguas velhas. | Rotina. Doadoras de embrião. |
Válido para éguas velhas ou início/fim da estação. O hCG comanda o tempo pela ação direta no folículo, o GnRH complementa pela via hipofisária. Existe combo comercial pronto (Rancho das Américas).
Folículo manteve ou reduziu o diâmetro → respondeu. Se estava com 35 mm e foi para 38 mm → provavelmente não respondeu. Vale para hCG e GnRH. Biologia não é matemática, mas geralmente é isso que acontece.
| Situação | Conduta |
|---|---|
| Usou hCG → folículo cresceu ou não respondeu | Trocar para GnRH no próximo ciclo (mecanismo diferente) |
| Usou GnRH → não respondeu | Tentar hCG ou COMBO no próximo ciclo |
| Ambos falharam repetidamente | Suspeitar de FAH ou disfunção ovulatória. ver Cap. 1 |
| Folículo regrediu sem ovular | Aguardar nova onda folicular. Reavaliar ovários em 7-10 dias. Se estrutura luteinizada formou. ver FAH, Cap. 1 |
Falha recorrente ao hCG pode indicar refratariedade por anticorpos. Suspender por uma estação (ver ficha hCG, Cap. 4).
| Causa | Sinal de alerta | Conduta |
|---|---|---|
| Desnutrição / baixo ECC | Folículo cresce mas não ovula, ausência de edema | Melhorar condição corporal antes da próxima tentativa |
| Sazonalidade (transição/anestro) | Final ou início da estação. Folículos grandes sem edema | Aguardar estação ou usar protocolo de indução de ciclicidade |
| Obesidade / SME | Folículo grande sem edema, FAH recorrente | Causa indireta: obesidade gera distúrbios metabólicos no folículo. Ajuste de dieta (baixo amido) + exercício (ver Caso 2, Cap. 7) |
| Égua velha | Resposta hormonal irregular, ovulações tardias | Preferir COMBO (hCG + GnRH), monitoramento mais frequente |
| Estresse / transporte | Ciclo irregular, edema inconsistente | Período de adaptação antes de iniciar protocolo |
Se o folículo cresce mas o edema não aparece, o problema é fisiológico, não farmacológico. O edema precede a indução, não depende dela.
Inseminar pela manhã para que lavado uterino e ocitocina possam ser feitos durante o dia.
A viabilidade limitada do sêmen e a longevidade finita do oócito criam janelas de fertilidade que devem ser rigorosamente respeitadas.
Inseminar antes da ovulação garante a melhor taxa de prenhez.
| Timing Pós-Ovulação | Taxa Prenhez | Perda Embrionária | Resultado Final |
|---|---|---|---|
| Até 8h | ~60% | ~8% (normal) | Bom |
| 8-16h | ~54% | 34% | Aceitável com risco |
| >24h | ~28% | ~75% | 7% prenhez final. NÃO recomendado |
Valores baseados em estudos de timing com sêmen refrigerado de boa qualidade. Resultados podem variar conforme diluidor, concentração e morfologia espermática.
Inseminar o mais próximo possível da ovulação. Até ~6h pós-ovulação ainda é aceitável, mas a fertilidade reduz progressivamente. IA pós-ovulatória tardia não é recomendada.
Estudos com inseminação em intervalos de 3 horas pós-ovulação não demonstraram diferença estatística entre 0-3h e 3-6h. O que impacta a fertilidade não é o subintervalo dentro da janela, mas sim ultrapassar as 6h. Com sêmen de garanhão de alto valor, priorizar a inseminação o mais próximo possível da ovulação como precaução prática. A monitorização intensiva a cada 2-4h aumenta as chances de acertar o momento ideal.
Evite protocolos "próprios" sem respaldo. Modificações em protocolos validados podem causar queda de 15-20% na taxa de gestação e dobrar a perda embrionária.
Cloprostenol (ex: Sincrocio): 75 µg/mL → 1 mL = 75 µg. Dinoprost (ex: Lutalyse): 5 mg/mL → 1 mL = 5 mg. O volume coincide entre os produtos, mas a dose ativa é diferente. Sempre verificar a concentração do produto utilizado.
Uma vez diluído, o hCG perde eficácia em até 3 dias se refrigerado. Congelado em doses individuais, é estável por anos. Para usar, aqueça a seringa na mão até descongelar. Não refrigere após o descongelamento.
Não utilizar aplicador bovino em éguas. A vagina equina é muito maior e a inserção é manual.
Na doadora, estrógeno exógeno pode causar falha ovulatória. Nunca usar.
| Hormônio | Local | Ponto Crítico |
|---|---|---|
| Prostaglandinas | Geladeira (2-8°C) | Calor degrada → falha de luteólise |
| Ocitocina | Geladeira | Peptídeo sensível ao calor |
| GnRH | Geladeira | Refrigeração mantém estabilidade molecular |
| hCG | Ver passo a passo na ficha acima | Congelado em doses: estável por anos |
| Progesterona | Temp. ambiente | NÃO refrigerar! Cristaliza <15°C |
| Estrógeno | Temp. ambiente | Mesmo princípio dos esteroides |
Peptídeos (PGF, GnRH, Ocitocina) → GELADEIRA
hCG reconstituído → CONGELADOR (apenas 3 dias na geladeira)
Esteroides (Progesterona, Estrógeno) → TEMPERATURA AMBIENTE
| Hormônio | Dose | Via | Observação |
|---|---|---|---|
| PGF2α | 1,0 mL (convencional) | IM | CL >5d. Meia dose (0,5 mL) p/ limpeza uterina |
| PGF2α (CL jovem) | Dose dobrada ou 2 doses em dias consecutivos | IM | CL <5d (~70% vs ~20%) |
| Deslorelina | 1,5 mg (3 mL) | IM | Ovulação em 36-48h |
| Histrelina | 250 µg (1 mL) | IM | Ovulação em 36-48h |
| hCG | 1.500-2.500 UI | IV | Ovulação em 32-34h. Fracionamento: ~1.666 UI por seringa |
| Ocitocina | 10-20 UI | IV ou IM | Repetir a cada 4-6h. Pós-IA: 4-8h após |
| P4-300 | 1,5 g/5 mL (7d) ou 3 g/10 mL (14d) | IM | Rotacionar garupa + pescoço. Até 120d em receptoras |
| 17β-estradiol (17 Beta) | 10→20→10 mg | IM | 1→2→1 mL. Protocolo Botupharma |
| BE (Sincrodiol) | Dose única: 2,5 mg ou decrescente: 5→3→2 mg | IM | 2,5 mL ou 5→3→2 mL |
| ECP (E.C.P.) | 5-10 mg | IM | 2,5-5 mL. Meia-vida ~5-7 dias |
Subdoses e produtos duvidosos reduzem taxa de sucesso. O custo do hormônio é uma fração mínima do procedimento completo. Use APENAS produtos registrados no MAPA.
Objetivo: Aumentar a probabilidade estatística de recuperar pelo menos um embrião. Éguas com ovulação simples têm taxa de recuperação de ~50% por ciclo. Com dupla ovulação, essa probabilidade sobe para ~100%, tornando a recuperação de ao menos um embrião quase certa. O objetivo não é necessariamente obter dois embriões, mas garantir um.
A ovulação geralmente é sincrônica. Quando não, ambas as ovulações devem ter entre 7 e 9 dias no momento da coleta.
Nunca induzir a receptora antes da ovulação confirmada da doadora. A ovulação pode não ocorrer (falha de indução, folículo anovulatório). Se a receptora ovular fora da janela ideal, será perdida.
A receptora deve estar entre o D4 e o D9 de progesterona no momento da transferência. Este é o critério que define se uma égua pode ou não ser usada. Toda a sincronização é construída para garantir que ela esteja nessa janela no dia da TE.
CL com mais de 9 dias no dia da TE → receptora descartada.
Para que a receptora esteja nessa janela, o útero precisa ter passado por alguns dias de estrógeno seguidos de alguns dias de progesterona. Conhecendo essa fisiologia, qualquer égua pode ser receptora, cíclica ou acíclica. O que muda é a origem dos hormônios: endógenos (égua ciclando) ou exógenos (protocolo hormonal).
Na doadora, estrógeno exógeno pode causar falha ovulatória. Nunca usar.
Identifique o cenário antes de escolher o protocolo.
| Tipo de receptora | Conduta resumida | Ver |
|---|---|---|
| Cíclica: CL + folículo ≥35 mm | PGF2α → aguardar ovulação da doadora → induzir | Caso 4 |
| Cíclica: CL + folículo ~14 mm | PGF2α → monitorar crescimento folicular | Caso 6 |
| Cíclica: folículo pronto mas "atrasado" (D5+) | Indutor + P4 simultâneos | Caso 8 |
| Ciclante com CL ativo (timing não funciona) | Protocolo dia a dia (ver seção abaixo) | - |
| Acíclica (sem folículo) | Protocolo completo E2 + P4 | Caso 5 |
| Formou FAH | P4 exógena a partir do D0 estimado | Caso 7 |
O dia em que a doadora ovula = D0 da doadora.
Aplicar estrógeno em todas as éguas candidatas disponíveis. O objetivo não é mimetizar o ciclo. É garantir a janela mínima de exposição endometrial. A égua precisa manter edema uterino por pelo menos 3 dias consecutivos.
Para produtos e imagens, ver ficha Estrógenos no Cap. 4.
| Produto | Protocolo | Volume | Referência |
|---|---|---|---|
| 17β-estradiol (17 Beta, Botupharma) | 10 → 20 → 10 mg | 1 → 2 → 1 mL | Protocolo do fabricante |
| BE (Sincrodiol, Ourofino) | Dose única: 2,5 mg | 2,5 mL | Literatura |
| Doses decrescentes: 5 → 3 → 2 mg | 5 → 3 → 2 mL | Literatura | |
| ECP (E.C.P., Zoetis) | 5-10 mg (dose única) | 2,5-5 mL | Bula para éguas |
Doses menores ou esquemas alternativos podem ser utilizados a critério do responsável técnico. O critério de sucesso é sempre a resposta uterina.
O 17β-estradiol tem meia-vida mais curta (~1-2 dias). O pico ocorre em 6 horas e cai rapidamente. Por isso doses maiores são necessárias para manter o edema uterino. O BE, com meia-vida maior (~3 dias), e o ECP (~5-7 dias) sustentam o efeito com doses menores.
A receptora está pronta quando:
Éguas sem edema → repetir a aplicação.
Éguas com líquido intrauterino → descartar.
Quando usar: receptora ciclante com CL ativo cujo timing natural não permite sincronizar com a doadora. Folículo fora da janela ou impossibilidade de monitorar a ovulação da receptora.
| Dia | Conduta |
|---|---|
| Dia 0 (ovulação da doadora) | PGF2α dose dobrada + 17β-estradiol 10 mg IM |
| Dia 1 | PGF2α dose dobrada + 17β-estradiol 20 mg IM |
| Dia 2 | 17β-estradiol 10 mg IM |
| Dia 3 | Sem medicação. Intervalo para regressão do edema uterino |
| Dia 4 | Iniciar P4 injetável |
| Dia 8 | Transferência do embrião |
Garante luteólise completa mesmo que a receptora tenha CL jovem e pouco responsivo.
Continuar P4 exógena até ~120 dias.
D0 da receptora = aplicação da P4 (protocolo preparado) ou ovulação confirmada (receptora cíclica). A TE convencional ocorre no D8.
| Situação | Dias mínimos de P4 antes da TE | Observação |
|---|---|---|
| Receptora preparada (E2 exógeno) | ≥ 3 dias | P4 sobe mais rápido após preparo estrogênico |
| Receptora cíclica (ovulação natural) | ≥ 4 dias | CL leva ~2 dias para atingir P4 funcional após ovulação |
| Receptora cíclica em D3 | Suplementar P4 exógena agora; depois o CL assume. Não descartar. | |
| Parâmetro | Implante (1,9 g) | P4-300 Injetável |
|---|---|---|
| Pico de P4 | ~6-8 ng/mL em até 24h | ~15 ng/mL em 24h |
| Curva | Sobe rápido, cai rápido | Sustentada por 7-14 dias |
| Necessidade de troca | Sim. Trocar antes do diagnóstico | Reaplicar a cada 7 ou 14 dias |
| Risco de bloqueio prolongado | Não | Sim (ver ficha Progesterona, Cap. 4) |
| Risco de vaginite | Sim: aplicar Terracam Spray ou Terracortril antes da inserção | - |
O implante pode não sustentar P4 acima de 6 ng/mL a médio prazo. Em receptoras de alto valor, considerar associar P4 injetável ou monitorar P4 sérica.
Implante de 1 g → apenas para antecipar ciclicidade, não para suporte gestacional. Para sincronização e gestação → implante de 1,9 g.
Quando o embrião já está produzido e aguarda receptora, a lógica muda: não há urgência de coleta, e a janela da receptora pode ser planejada com mais precisão. O embrião ICSI é transferido no estágio de blastocisto precoce, equivalente a um embrião in vivo de ~D6-6,5.
Entre receptoras que passam pelos critérios clínicos com desempenho semelhante ao modo B, o Doppler colorido do CL ajuda a priorizar.
CL com alta perfusão vascular ao Doppler indica estrutura ativa e bem vascularizada, mais apta a sustentar a gestação do que um CL de aspecto similar ao modo B mas com sinal vascular reduzido.
Não é exame de rotina obrigatória. É um desempate objetivo quando o modo B não distingue.
Égua Mangalarga induzida com Histrelina às 18h (folículo 35mm, edema grau 3). Veterinário retorna 36h depois para IA com sêmen refrigerado. Égua já ovulada, cérvix fechada e tensa.
Cérvix fechada = progesterona já subindo significativamente → ovulação provavelmente há >12h. Algumas éguas respondem mais rápido que a média (36-48h).
IA realizada com baixa expectativa. Probabilidade de concepção muito reduzida pelo envelhecimento do oócito.
Anote as particularidades de cada égua. No próximo ciclo, programar IA para 24h após indução com monitoramento mais próximo.
Égua obesa, final da estação. Folículo chega a 50mm mas SEM edema uterino. GnRH não induziu ovulação → folículo luteinizado/hemorrágico. PGF2α não lisou a estrutura.
Obesidade + final da estação = fatores de risco para disfunção ovulatória. Ausência de edema com folículo grande = ambiente estrogênico inadequado.
Edema uterino é tão importante quanto o tamanho do folículo. Dissociação entre os dois = sinal de alerta. Investigar: CL residual? Condição corporal? Ajustar dieta (baixo amido) + exercício.
Receptora acíclica preparada com estrógeno + implante de progesterona. T.E. bem-sucedida, gestação perdida aos 27 dias. Causa provável: janela de progesterona baixa entre a remoção do implante e a absorção da P4 injetável.
Ao trocar fontes de progesterona, sobrepor os tratamentos por no mínimo 48h. Para conduta detalhada, ver Caso 10.
No dia da indução da doadora, a receptora apresenta CL + folículo ≥35 mm. Melhor cenário possível.
Receptora com folículo pronto, mas não se pode induzir antes da ovulação confirmada da doadora.
Aplicar PGF2α para lisar o CL. Não induzir a ovulação agora. Aguardar ovulação da doadora, depois induzir ou deixar ovular espontaneamente. TE no D8 (receptora ~D6 de CL).
Receptora sem folículo, sem estrógeno endógeno. Precisa de protocolo hormonal completo.
Se houver CL, aplicar PGF2α primeiro (2 doses se CL recente) → 5 dias de estrógeno sem P4 → No D4 da doadora iniciar P4 (= D0 da receptora). TE no D8. Manter P4 até ~120 dias. Depende totalmente de P4 exógena.
Receptora com folículo de ~14 mm em crescimento, ainda sem edema uterino.
Com 14 mm o estrógeno endógeno ainda não é suficiente para gerar edema, mas vai ser. Crescendo ~3 mm/dia, em ~7 dias estará em 35 mm. Não precisa de estrógeno exógeno.
PGF2α para lisar o CL → monitorar crescimento folicular → quando atingir ≥35 mm + edema, confirmar ovulação da doadora e induzir a receptora. Após ovulação da receptora, iniciar P4 exógena imediatamente e manter por ~7 dias até o CL próprio assumir. TE no D8 da receptora.
O timing precisa ser calculado a partir da doadora. A receptora deve ovular de forma que seu D8 coincida com a data da coleta. Se o folículo estiver crescendo rápido demais ou devagar, ajustar com indução ou nova PGF2α conforme necessário.
Receptora acompanhada para ovular, mas formou folículo hemorrágico anovulatório.
O FAH não ovulou, mas o útero passou pela fase estrogênica. Ainda utilizável se sabemos quando se formou. Porque conseguimos definir o D0 e iniciar P4 exógena no momento certo.
Iniciar P4 exógena no momento em que a ovulação deveria ter ocorrido = D0. TE no D8. Manter P4 durante toda a gestação. FAH não produz P4 adequada.
Sem saber quando se formou, não há como definir o D0.
Folículo da receptora atinge 35 mm no D5 da doadora. Pronto, mas "atrasado".
O pico de LH endógeno provocado pelo indutor sobrepõe a inibição da P4. É possível aplicar ambos ao mesmo tempo.
Indutor + P4 simultâneos. P4 por ~7 dias até CL próprio assumir. TE no D8.
Receptora com folículo ≥35 mm mas sem edema uterino. Estrógeno exógeno não está sendo utilizado.
PGF2α antes de descartar. Reavaliar em 24-36h. Se o edema aparecer, a égua é utilizável. CL residual não identificado é a causa mais comum.
Receptora gestante com implante intravaginal. O veterinário remove o implante e aplica a P4 injetável no mesmo dia.
A P4 injetável leva tempo para atingir níveis plasmáticos adequados. Ao remover o implante no mesmo dia, há uma janela de progesterona baixa que pode causar perda gestacional.
Iniciar a P4 injetável e remover o implante somente 2 dias APÓS. Nunca remover antes. Sobrepor os tratamentos para evitar queda abrupta de progesterona.
O protocolo precisa começar quando os folículos estão entre 20 e 25 mm. Acima de 25 mm no folículo dominante, a dominância já está estabelecida.
Maior folículo com 20 mm, segundo com 17 mm.
Iniciar amanhã. Amanhã o maior terá ~23 mm e o segundo ~20 mm. Ambos na janela.
Maior folículo com 23 mm, segundo com 19 mm.
Iniciar hoje. Amanhã o maior terá ~26 mm. Já estabeleceu dominância.
Sempre pensar no tamanho que o maior folículo terá amanhã (~3 mm/dia). Se ultrapassar 25 mm, iniciar hoje.
Médica Veterinária (UFPB), Mestre em Ciência Animal (UFPB), Doutoranda em Biotecnologia Animal (UNESP Botucatu), Especialização em Reprodução Equina (IBVET). Experiência em campo com exames ginecológicos, exame andrológico, inseminação artificial, transferência de embriões e acompanhamento gestacional e neonatal de equinos. Ex-docente em Medicina Veterinária e ex-coordenadora do GERA - Grupo de Estudos em Reprodução Animal.
@iaranmacedo