IP Reprodução Equina

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Guia de Campo:
Hormonioterapia em Éguas

Doses, protocolos e decisões clínicas para a rotina reprodutiva da fêmea

Consulta Rápida no Campo

Conteúdo técnico: M.V. Dra. Iara Macedo Petelinkar - Reprodução Equina - @iaranmacedo

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v3.0-2026
Ferramenta

Calculadoras de Campo

Média Folicular (cruz)

Insira as duas medidas do folículo em cruz:

+ ÷ 2 = - mm
Previsão para Indução (≥35 mm)

Tamanho atual do folículo (mm) - crescimento médio: 3 mm/dia:

mm
Sincronização - Receptora por Doadora
Doadora
Receptoras
Fichas de Campo - Impressão

Fichas para imprimir e usar na rotina do haras. Clique para baixar o PDF.

Ficha de Acompanhamento
Ovários, útero, medicação, por égua
Tabela Receptoras × Doadora
Protocolo E2, acompanhamento D0 - D9, coleta
Capítulo 1

Achado US → Conduta

Guia visual para identificar o que você está vendo no ultrassom, da preparação uterina até a formação do corpo lúteo.

Edema Uterino: Graus de Classificação

Graus de edema uterino
A
Grau 0
Sem edema
B
Grau 1
Edema leve
C
Grau 2
Edema moderado
D
Grau 3
Edema máximo
Edema Crescente

Dobras uterinas começando a definir. Ação: Monitorar crescimento folicular.

Edema Máximo (Grau 3): JANELA IDEAL

Imagem de "gomos de laranja" / "roda de carroça". Folículo >35mm. APLICAR INDUTOR AGORA.

Premissa máxima da reprodução equina

Folículos crescem em média 3 mm/dia. É a partir disso que se calcula quando induzir, quando inseminar e quando a receptora deve ovular.

Folículos Pré-Ovulatórios: Sinais de Proximidade

Folículo pré-ovulatório: duas éguas em momentos distintos antes da ovulação
Folículo pré-ovulatório de duas éguas em momentos distintos antes da ovulação. A - B (égua 1): 20h e 4h. C - D (égua 2): 29h e 1h. Fonte: Gastal, Gastal e Ginther (2006).
QuandoO que observar no US
3-1 dias antesParede dupla: camada anecoica abaixo da granulosa
~36h antesFolículo para de crescer
Últimas 24hGranulosa serrilhada · perda do formato esférico · parede apical mais fina · pontos ecogênicos
Dica de Palpação

Pré-ovulação: o ovário fica mais flácido conforme se aproxima da ovulação, e a égua demonstra mais sensibilidade à palpação (ovário dolorido). Pós-ovulação: sente-se uma depressão palpável na fossa de ovulação. Indica ovulação recente (dentro da janela para IA com sêmen refrigerado).

Leitura do Folículo Pré-Ovulatório

Folículo dominante + edema baixo: o que está acontecendo?

Três possibilidades:

  1. Edema ainda vai subir: folículo em crescimento, estrógeno subindo. Volte em 24h para reavaliar.
  2. Edema já subiu e está descendo. A égua já liberou LH e vai ovular por conta própria. Você perde a previsibilidade - não é mais uma indução, é uma corrida. (ver Dica de Palpação acima).
  3. Edema nunca subiu: dissociação folículo/edema. Suspeitar de CL residual bloqueando o estrógeno, ou disfunção ovulatória (obesidade, final da estação).

Corpo Hemorrágico (CH) vs. Folículo Anovulatório (FAH)

Modificações ecográficas durante o ciclo reprodutivo da égua
Modificações ecográficas durante o ciclo reprodutivo da égua. (1) Folículo pré-ovulatório; (2) Granulosa hiperecogênica no folículo pré-ovulatório; (3) Corpo hemorrágico; (4) Corpo lúteo desenvolvido; (5) Perfusão vascular do CL funcional ao Doppler; (6) Regressão do corpo lúteo. Fonte: Wilsher (Sharjah Equine Hospital), in Fernandes (2018).

Após a ovulação, forma-se o corpo hemorrágico (CH), que em 2-3 dias se organiza em corpo lúteo (CL). O desafio no US é diferenciá-lo de um folículo anovulatório (FAH), que luteiniza sem romper.

CH (Normal)

Anecoico ou trabeculado. Reduz e se organiza em 24-48h → evolui para CL.

Monitorização ecográfica do folículo hemorrágico anovulatório
FAH - Folículo Anovulatório Hemorrágico
Monitorização ecográfica do desenvolvimento e organização de um folículo hemorrágico anovulatório. Persiste com mesmo tamanho em 24h. Não evolui para CL funcional. Fonte: Wilsher (Sharjah Equine Hospital), in Fernandes (2018).
Fatores de risco para FAH

Éguas obesas, final da estação, éguas velhas e uso repetido de indutores sem resposta.

Corpo Lúteo (CL)

É a estrutura que produz progesterona e mantém a gestação. Permanece funcional por ~14-16 dias se não houver gestação. Depois entra em luteólise naturalmente.

Identificação

Pode ser compacto (homogêneo) ou ter cavidade central. Ambos são funcionais!

ERRO COMUM: Descartar CL com cavidade central, acreditando ser não funcional. É perfeitamente normal em éguas.

Encontrei CL no ovário: está funcional ou já está em luteólise?

Tem edema no útero? → CL não está funcional. P4 já caiu, luteólise já ocorreu ou está ocorrendo. Novo ciclo em curso.

Não tem edema? → CL pode estar funcional. P4 alta bloqueando estrógeno. Se precisar antecipar o retorno ao cio, aplicar PGF2α.

Confirmação da luteólise (24-36h após PGF2α)

US mostra CL menor, mais ecogênico (branco/brilhante) e formato irregular (triangular vs arredondado). Edema uterino aparecendo confirma que P4 caiu e o novo ciclo iniciou.

Doppler do CL: quando usar?

O modo B resolve a maioria dos casos. O Doppler acrescenta quando o CL está presente mas o exame em modo B não é conclusivo sobre sua funcionalidade.

O que você vê no DopplerInterpretação
Sinal colorido abundante, periférico e centralCL funcional
Sinal reduzido, periférico apenasCL em início de regressão
Sinal mínimo ou ausenteLuteólise avançada
Dica prática

Se o edema uterino já tirou a dúvida, o Doppler não é necessário. Reserve para os casos de dissociação (CL presente, sem edema): quando você precisa decidir entre aplicar PGF2α ou aguardar.

Resumo: O que estou vendo? O que faço?

Achado no USO que éConduta
Folículos pequenos, sem edemaInício de cicloReavaliar em alguns dias. Folículos ainda em crescimento.
Folículo ~35 mm + edema grau 3Momento de induzirAplicar indutor (hCG ou GnRH). Janela ideal.
Folículo ~39 mm + edema grau 1Próximo da ovulação?Palpar ovário: flácido? Égua dolorida? Se sim, ovulação iminente. Edema já passou do pico.
Estrutura anecoica ou trabeculada (pós-ovulação)Corpo Hemorrágico (CH)NORMAL. Reavaliar em 24-48h. Evolui para CL.
Estrutura grande, ecogênica heterogênea, persisteFolículo AnovulatórioNÃO ovulou. Reavaliar em 24h para confirmar.
CL + sem edema uterinoCL funcionalP4 alta. PGF2α se precisar antecipar retorno ao cio.
CL + edema uterino aparecendoCL em luteóliseP4 caindo. Novo ciclo em curso.
Tamanhos de folículos são exemplos. Cada égua tem seu padrão.
Capítulo 2

Protocolos de Indução

O controle preciso do momento da ovulação é fundamental para o manejo reprodutivo. Permite sincronizar a IA com a disponibilidade do sêmen e maximizar taxas de gestação.

Comparativo: hCG vs. GnRH

ParâmetrohCGGnRH (Deslorelina)
Tempo p/ ovulação32-34h36-48h
ViaIV (bula)IM
VantagemMais rápido. Mais confiável.Não cria anticorpos. Custo menor.
LimitaçãoRefratariedade após uso consecutivo (ver ficha hCG, Cap. 4)Maior taxa de falha
Caso ideal1ª ovulação do ano. Éguas velhas.Rotina. Doadoras de embrião.
O "COMBO" (hCG + GnRH)

Válido para éguas velhas ou início/fim da estação. O hCG comanda o tempo pela ação direta no folículo, o GnRH complementa pela via hipofisária. Existe combo comercial pronto (Rancho das Américas).

Quando Induzir: Critérios de Entrada

Como confirmar resposta 24h depois?

Folículo manteve ou reduziu o diâmetro → respondeu. Se estava com 35 mm e foi para 38 mm → provavelmente não respondeu. Vale para hCG e GnRH. Biologia não é matemática, mas geralmente é isso que acontece.

Indutor falhou: o que fazer?

SituaçãoConduta
Usou hCG → folículo cresceu ou não respondeuTrocar para GnRH no próximo ciclo (mecanismo diferente)
Usou GnRH → não respondeuTentar hCG ou COMBO no próximo ciclo
Ambos falharam repetidamenteSuspeitar de FAH ou disfunção ovulatória. ver Cap. 1
Folículo regrediu sem ovularAguardar nova onda folicular. Reavaliar ovários em 7-10 dias. Se estrutura luteinizada formou. ver FAH, Cap. 1
Atenção

Falha recorrente ao hCG pode indicar refratariedade por anticorpos. Suspender por uma estação (ver ficha hCG, Cap. 4).

Causas não farmacológicas de falha: investigar antes de trocar o indutor

CausaSinal de alertaConduta
Desnutrição / baixo ECCFolículo cresce mas não ovula, ausência de edemaMelhorar condição corporal antes da próxima tentativa
Sazonalidade (transição/anestro)Final ou início da estação. Folículos grandes sem edemaAguardar estação ou usar protocolo de indução de ciclicidade
Obesidade / SMEFolículo grande sem edema, FAH recorrenteCausa indireta: obesidade gera distúrbios metabólicos no folículo. Ajuste de dieta (baixo amido) + exercício (ver Caso 2, Cap. 7)
Égua velhaResposta hormonal irregular, ovulações tardiasPreferir COMBO (hCG + GnRH), monitoramento mais frequente
Estresse / transporteCiclo irregular, edema inconsistentePeríodo de adaptação antes de iniciar protocolo
Regra prática

Se o folículo cresce mas o edema não aparece, o problema é fisiológico, não farmacológico. O edema precede a indução, não depende dela.

Protocolo 1: Indução para Sêmen Refrigerado

  1. Monitorar US até folículo >35mm + edema grau 3
  2. Induzir Aplicar hCG ou GnRH
  3. Inseminar 24h após a aplicação do indutor
  4. Confirmar US para verificar ovulação

Protocolo 2: Indução para Sêmen Congelado

  1. Monitorar US até folículo >35mm + edema máximo
  2. Induzir à noite GnRH às 20h (ovulação em 36-48h) ou hCG às 22h (ovulação em 32-34h)
  3. US intensiva Avaliar 24h após a indução. Conforme se aproxima da ovulação, intensificar a cada 2-4h
  4. Inseminar O mais próximo possível da ovulação. ver Timing Cap. 3
Éguas com Endometrite

Inseminar pela manhã para que lavado uterino e ocitocina possam ser feitos durante o dia.

Capítulo 3

Timing de IA

A viabilidade limitada do sêmen e a longevidade finita do oócito criam janelas de fertilidade que devem ser rigorosamente respeitadas.

Sêmen Refrigerado

Janela Ideal: até 24h ANTES da ovulação

Inseminar antes da ovulação garante a melhor taxa de prenhez.

Timing Pós-OvulaçãoTaxa PrenhezPerda EmbrionáriaResultado Final
Até 8h~60%~8% (normal)Bom
8-16h~54%34%Aceitável com risco
>24h~28%~75%7% prenhez final. NÃO recomendado

Valores baseados em estudos de timing com sêmen refrigerado de boa qualidade. Resultados podem variar conforme diluidor, concentração e morfologia espermática.

Sêmen Congelado

Janela: idealmente até 6h antes, limite até ~6h após

Inseminar o mais próximo possível da ovulação. Até ~6h pós-ovulação ainda é aceitável, mas a fertilidade reduz progressivamente. IA pós-ovulatória tardia não é recomendada.

Dentro da janela de 6h: existe diferença?

Estudos com inseminação em intervalos de 3 horas pós-ovulação não demonstraram diferença estatística entre 0-3h e 3-6h. O que impacta a fertilidade não é o subintervalo dentro da janela, mas sim ultrapassar as 6h. Com sêmen de garanhão de alto valor, priorizar a inseminação o mais próximo possível da ovulação como precaução prática. A monitorização intensiva a cada 2-4h aumenta as chances de acertar o momento ideal.

Capítulo 4

Fichas de Dose Rápida

ATENÇÃO

Evite protocolos "próprios" sem respaldo. Modificações em protocolos validados podem causar queda de 15-20% na taxa de gestação e dobrar a perda embrionária.

Prostaglandinas (Cloprostenol / Dinoprost)
MecanismoAgentes luteolíticos: promovem a regressão do corpo lúteo (CL), causando queda nos níveis de progesterona e retorno ao estro.
IndicaçãoIndução da luteólise para antecipar o retorno ao estro.
CL Jovem (<5d)CL com menos de 5 dias responde mal à PGF2α com dose única (~20% de resposta). Utilizar dose dobrada ou duas doses em dias consecutivos (~70% de sucesso). Sinais de resposta esperados 24-36h após a aplicação: surgimento de edema uterino, CL visivelmente menor, mais ecogênico e com formato irregular (triangular).
CL Maduro (>5d)Dose convencional (1,0 mL), altamente eficaz.
Meia dosePara contrações uterinas (limpeza de fluido) sem luteólise. Ex: 0,5 mL.
EfeitosO Dinoprost tende a causar mais efeitos colaterais sistêmicos que o Cloprostenol: sudorese, cólica leve e desconforto. A sudorese ocorre em pelo menos 30% das éguas tratadas com Dinoprost e é um sinal clínico de que o fármaco foi absorvido e está biologicamente ativo. Sua ausência, no entanto, não indica falha de absorção.
Eficácia comparativaExiste o mito de que o Cloprostenol não funciona em éguas. Isso é incorreto. Ambos os princípios ativos são eficazes. Falhas geralmente ocorrem por duas razões: aplicação em CL muito jovem (<5 dias) ou armazenamento inadequado com perda de potência. A diferença clínica relevante está no CL jovem: nessa janela, o Dinoprost tende a ter resposta mais consistente com dose única, enquanto o Cloprostenol pode exigir dose dupla ou reaplicação para garantir a luteólise.
Nota técnica: Concentrações

Cloprostenol (ex: Sincrocio): 75 µg/mL → 1 mL = 75 µg. Dinoprost (ex: Lutalyse): 5 mg/mL → 1 mL = 5 mg. O volume coincide entre os produtos, mas a dose ativa é diferente. Sempre verificar a concentração do produto utilizado.

Lutalyse Zoetis - Dinoprost
Lutalyse (Zoetis)
Dinoprost
Sincrocio Ourofino - Cloprostenol
Sincrocio (Ourofino)
Cloprostenol
Análogos de GnRH (Deslorelina / Histrelina)
MecanismoAtuam na hipófise, estimulando liberação de LH. A égua precisa de uma onda de LH longa e sustentada (diferente da vaca). Deslorelina e Histrelina são muito mais potentes que análogos desenvolvidos para bovinos (ex: buserelina). A potência relativa varia drasticamente entre os análogos.
Buserelina (emergência)Não é rotina em equinos. Meia-vida muito curta não sustenta o pico de LH necessário. Em emergência (apenas análogo bovino disponível), a dose deve ser 5 a 10× maior que a dose para bovinos (mínimo de 5 mL por aplicação).
DoseDeslorelina: 1,5 mg (3 mL). Histrelina: 250 µg (1 mL). Via IM.
Ovulação36-48 horas após aplicação (média ~40-42h).
VantagemNão cria anticorpos. Ideal para uso repetido. Custo mais acessível. Manejo mais fácil.
LimitaçãoTaxa de falha maior que hCG. Há éguas que respondem melhor ao GnRH e outras que respondem melhor ao hCG. Testar individualmente.
Sincrorrelin Ourofino - Deslorelina
Sincrorrelin (Ourofino)
Deslorelina
Strelin Botupharma - Histrelina
Strelin (Botupharma)
Histrelina
hCG (Gonadotrofina Coriônica Humana)
MecanismoAção direta no folículo, mimetizando o LH. Meia-vida longa (ácido siálico).
Dose1.500-2.500 UI. A literatura não demonstra diferença de eficácia entre doses nessa faixa. Doses acima de 2.500 UI não trazem benefício adicional e podem fazer downregulation do eixo hipofisário. Na prática de campo, ~1.666 UI (frasco dividido em 3) tem apresentado bons resultados.
ViaIV (indicação de bula). A via IM tem eficácia equivalente e é alternativa segura, especialmente em animais de difícil manejo.
Ovulação32-34 horas após aplicação (mais rápido que GnRH).
1ª ovulação do anoIdeal induzir com hCG. Início da estação tem resposta menos previsível ao GnRH.
Diluição e Armazenamento: Passo a Passo
  1. Pegue um frasco de 5.000 UI de hCG liofilizado (pó)
  2. Ressuspenda o pó com parte do diluente e complete o volume final para 6 mL com solução fisiológica
  3. Divida em 3 seringas de 2 mL cada (~1.666 UI por dose)
  4. Use uma dose imediatamente e congele as outras duas

Uma vez diluído, o hCG perde eficácia em até 3 dias se refrigerado. Congelado em doses individuais, é estável por anos. Para usar, aqueça a seringa na mão até descongelar. Não refrigere após o descongelamento.

RiscoO uso repetido pode induzir formação de anticorpos anti-hCG, reduzindo a previsibilidade do timing ovulatório e, em alguns casos, causando falha ovulatória. O impacto clínico varia entre animais. Recomenda-se alternar com GnRH como precaução. Se houver suspeita de refratariedade (falhas em ciclos anteriores), suspender o uso por pelo menos uma estação e utilizar exclusivamente GnRH.
Fertcor 5000
Fertcor 5000
Chorulon 5000 UI - MSD
Chorulon 5000 UI (MSD)
Progesterona e Progestágenos (Altrenogest)
MecanismoSuprime GnRH → bloqueia desenvolvimento folicular, cio e ovulação.
IndicaçõesSincronização de receptoras (T.E.) e supressão de cio em éguas de competição. Existe na forma oral (comum fora do Brasil. Em países onde se consome carne de cavalo, não se pode usar hormônio injetável). Alguns veterinários importam a versão oral para uso em doadoras que vão para provas, suprimindo comportamento de cio. Nota: o uso de produtos importados sem registro no MAPA é de responsabilidade exclusiva do médico veterinário responsável, sujeito à legislação vigente.
AplicaçãoRotacionar locais IM. Dividir a garupa em 4 quadrantes, alternar lado direito e esquerdo, usar também pescoço. Não repetir mesmo local em <15 dias. Risco de abscesso se não rotacionar.
P4-300Reaplicação a cada 7 dias (1,5 g - 5 mL) ou 14 dias (3 g - 10 mL). Manutenção de gestação em receptoras: até 120 dias. Dica prática: o protocolo semanal facilita a rotina. Dia fixo para o tratador, sem risco de esquecimento.
Se cristalizarAquecer a 45-50°C (banho-maria ou secador) até ficar límpido. JAMAIS aplicar cristalizado → abscessos.
ImplanteDispositivo intravaginal de liberação lenta. 1,9 g para sincronização e suporte gestacional. Implante de 1 g: apenas para antecipar ciclicidade. A marca fica a critério (CIDR é o mais utilizado).
Inserção do Implante: Passo a Passo

Não utilizar aplicador bovino em éguas. A vagina equina é muito maior e a inserção é manual.

  1. Retirar a cordinha do implante antes da inserção
  2. Aplicar Terracam Spray ou Terracortril em abundância no implante e na luva de palpação. Reduz o risco de vaginite e reação local ao dispositivo
  3. Fechar o implante manualmente, dobrando as hastes do Y sobre o corpo do dispositivo
  4. Introduzir manualmente pelo canal vaginal, posicionando o implante no fundo da vagina, próximo à cérvix
  5. Após a inserção, lubrificar a luva de palpação e realizar palpação transretal para retirar o ar
Implante × P4-300O implante atinge ~6-8 ng/mL de P4 em 24h. A P4-300 atinge ~15 ng/mL no mesmo período. P4 abaixo de 6 ng/mL é risco para gestação. Considerar ao escolher a via de suplementação.
P4-300 × Altrenogest × ImplanteSe a receptora preparada com P4-300 não for utilizada (doadora sem embrião), a égua pode ficar ~40 dias sem ciclar. Altrenogest e implante não causam esse bloqueio prolongado, por isso são preferidos para sincronização de receptoras.
P4-300 Botupharma
P4-300 (Botupharma)
CIDR - Implante de progesterona
CIDR - Implante intravaginal
Altrenogest Botupharma
Altrenogest (Botupharma)
Estrógenos (17β-estradiol / Benzoato / Cipionato)
MecanismoPreparo estrogênico do endométrio: induz edema uterino e prepara o útero para receber progesterona. Usado na preparação de receptoras de embrião.
IndicaçãoSincronização de receptoras em programas de T.E.

Na doadora, estrógeno exógeno pode causar falha ovulatória. Nunca usar.

Doses2,5-10 mg IM. Ajustar conforme resposta ao edema. (Ver protocolo completo, Cap. 6)
17 Beta Botupharma
17 Beta (Botupharma)
17β-estradiol
Sincrodiol Ourofino
Sincrodiol (Ourofino)
Benzoato de estradiol
E.C.P. Zoetis
E.C.P. (Zoetis)
Cipionato de estradiol
Ocitocina
MecanismoEstimula contração da musculatura lisa uterina. Promove limpeza mecânica do conteúdo intrauterino (fluido, debris, espermatozoides mortos).
IndicaçõesPós-IA: limpeza uterina em éguas susceptíveis a endometrite pós-cobertura. Pós-lavado: eliminação de fluido residual. Retenção de placenta: estimular expulsão.
Dose10-20 UI (IV ou IM). Pode repetir a cada 4-6h se necessário.
TimingPós-IA: aplicar 4-8h após a inseminação. Precoce demais pode prejudicar o transporte espermático.
AçãoEfeito rápido e curto (~30 min).
Dica de campoÉgua com útero penduloso: no último lavado, após infundir o Ringer com Lactato, aplicar 10 UI IV → esperar 3-5 min → retirar. Facilita a drenagem completa. Só usar quando tiver certeza de que é o último lavado.
Ocitocina Forte UCBVet
Ocitocina Forte (UCBVet)

Tabela Rápida: Armazenamento

HormônioLocalPonto Crítico
ProstaglandinasGeladeira (2-8°C)Calor degrada → falha de luteólise
OcitocinaGeladeiraPeptídeo sensível ao calor
GnRHGeladeiraRefrigeração mantém estabilidade molecular
hCGVer passo a passo na ficha acimaCongelado em doses: estável por anos
ProgesteronaTemp. ambienteNÃO refrigerar! Cristaliza <15°C
EstrógenoTemp. ambienteMesmo princípio dos esteroides
REGRA DE OURO

Peptídeos (PGF, GnRH, Ocitocina) → GELADEIRA
hCG reconstituídoCONGELADOR (apenas 3 dias na geladeira)
Esteroides (Progesterona, Estrógeno) → TEMPERATURA AMBIENTE

Tabela Rápida: Doses

HormônioDoseViaObservação
PGF2α1,0 mL (convencional)IMCL >5d. Meia dose (0,5 mL) p/ limpeza uterina
PGF2α (CL jovem)Dose dobrada ou 2 doses em dias consecutivosIMCL <5d (~70% vs ~20%)
Deslorelina1,5 mg (3 mL)IMOvulação em 36-48h
Histrelina250 µg (1 mL)IMOvulação em 36-48h
hCG1.500-2.500 UIIVOvulação em 32-34h. Fracionamento: ~1.666 UI por seringa
Ocitocina10-20 UIIV ou IMRepetir a cada 4-6h. Pós-IA: 4-8h após
P4-3001,5 g/5 mL (7d) ou 3 g/10 mL (14d)IMRotacionar garupa + pescoço. Até 120d em receptoras
17β-estradiol (17 Beta)10→20→10 mgIM1→2→1 mL. Protocolo Botupharma
BE (Sincrodiol)Dose única: 2,5 mg ou decrescente: 5→3→2 mgIM2,5 mL ou 5→3→2 mL
ECP (E.C.P.)5-10 mgIM2,5-5 mL. Meia-vida ~5-7 dias
ERRO COMUM: "Economia" que Custa Caro

Subdoses e produtos duvidosos reduzem taxa de sucesso. O custo do hormônio é uma fração mínima do procedimento completo. Use APENAS produtos registrados no MAPA.

Nota sobre produtos comerciais
Os produtos citados neste guia são exemplos disponíveis no mercado brasileiro no momento da publicação. Portfólios comerciais podem mudar. Produtos podem sair do mercado, ter disponibilidade regional limitada ou ser substituídos por equivalentes com o mesmo princípio ativo. Outros produtos registrados no MAPA com o mesmo princípio ativo podem ser utilizados nas mesmas doses. Sempre verifique disponibilidade e registro atualizado antes de utilizar.
Capítulo 5

Protocolo de Dupla Ovulação

Objetivo: Aumentar a probabilidade estatística de recuperar pelo menos um embrião. Éguas com ovulação simples têm taxa de recuperação de ~50% por ciclo. Com dupla ovulação, essa probabilidade sobe para ~100%, tornando a recuperação de ao menos um embrião quase certa. O objetivo não é necessariamente obter dois embriões, mas garantir um.

  1. PGF2α No dia da coleta anterior
  2. Monitorar 2 folículos entre 20-25 mm (diferença máx. 5 mm entre eles)
  3. Microdose GnRH 2×/dia manhã e tarde, via IM:
      • Deslorelina: 100-150 µg por aplicação (0,4-0,5 mL de Sincrorrelin, Ourofino)
      • Histrelina: 25-50 µg por aplicação (0,1-0,2 mL de Strelin, Botupharma)
    Preparar seringas identificadas e deixar com o tratador.
  4. 4-5 dias até ambos atingirem ~35 mm
  5. Indução hCG 2.500 UI + GnRH
Dois critérios obrigatórios para iniciar
  • Dois folículos entre 20 e 25 mm. Acima de 25 mm a dominância já está estabelecida
  • Diferença entre os dois folículos ≤ 5 mm. Precisam estar próximos em tamanho
Coleta

A ovulação geralmente é sincrônica. Quando não, ambas as ovulações devem ter entre 7 e 9 dias no momento da coleta.

Capítulo 6

Receptoras e Transferência de Embriões

REGRA ABSOLUTA

Nunca induzir a receptora antes da ovulação confirmada da doadora. A ovulação pode não ocorrer (falha de indução, folículo anovulatório). Se a receptora ovular fora da janela ideal, será perdida.

Premissa. A Lógica do Protocolo
REGRA CENTRAL DA SINCRONIZAÇÃO

A receptora deve estar entre o D4 e o D9 de progesterona no momento da transferência. Este é o critério que define se uma égua pode ou não ser usada. Toda a sincronização é construída para garantir que ela esteja nessa janela no dia da TE.

CL com mais de 9 dias no dia da TE → receptora descartada.

Para que a receptora esteja nessa janela, o útero precisa ter passado por alguns dias de estrógeno seguidos de alguns dias de progesterona. Conhecendo essa fisiologia, qualquer égua pode ser receptora, cíclica ou acíclica. O que muda é a origem dos hormônios: endógenos (égua ciclando) ou exógenos (protocolo hormonal).

Na doadora, estrógeno exógeno pode causar falha ovulatória. Nunca usar.

Qual receptora tenho na minha frente?

Identifique o cenário antes de escolher o protocolo.

Tipo de receptoraConduta resumidaVer
Cíclica: CL + folículo ≥35 mmPGF2α → aguardar ovulação da doadora → induzirCaso 4
Cíclica: CL + folículo ~14 mmPGF2α → monitorar crescimento folicularCaso 6
Cíclica: folículo pronto mas "atrasado" (D5+)Indutor + P4 simultâneosCaso 8
Ciclante com CL ativo (timing não funciona)Protocolo dia a dia (ver seção abaixo) -
Acíclica (sem folículo)Protocolo completo E2 + P4Caso 5
Formou FAHP4 exógena a partir do D0 estimadoCaso 7

O dia em que a doadora ovula = D0 da doadora.

1. Fase Estrogênica: Preparação e Seleção da Receptora

Aplicar estrógeno em todas as éguas candidatas disponíveis. O objetivo não é mimetizar o ciclo. É garantir a janela mínima de exposição endometrial. A égua precisa manter edema uterino por pelo menos 3 dias consecutivos.

Para produtos e imagens, ver ficha Estrógenos no Cap. 4.

Quanto aplicar?

ProdutoProtocoloVolumeReferência
17β-estradiol (17 Beta, Botupharma)10 → 20 → 10 mg1 → 2 → 1 mLProtocolo do fabricante
BE (Sincrodiol, Ourofino)Dose única: 2,5 mg2,5 mLLiteratura
Doses decrescentes: 5 → 3 → 2 mg5 → 3 → 2 mLLiteratura
ECP (E.C.P., Zoetis)5-10 mg (dose única)2,5-5 mLBula para éguas

Doses menores ou esquemas alternativos podem ser utilizados a critério do responsável técnico. O critério de sucesso é sempre a resposta uterina.

Por que as doses do 17β-estradiol são maiores que as do BE?

O 17β-estradiol tem meia-vida mais curta (~1-2 dias). O pico ocorre em 6 horas e cai rapidamente. Por isso doses maiores são necessárias para manter o edema uterino. O BE, com meia-vida maior (~3 dias), e o ECP (~5-7 dias) sustentam o efeito com doses menores.

Como avaliar a resposta e quando iniciar a P4?

A receptora está pronta quando:

  • Manteve edema por ≥ 3 dias consecutivos
  • Não apresentou líquido intrauterino
  • Não exigiu mais de 10 mg totais de E2 próximo do momento de iniciar a P4

Éguas sem edema → repetir a aplicação.
Éguas com líquido intrauterino → descartar.

Protocolo: Receptora Ciclante com CL

Quando usar: receptora ciclante com CL ativo cujo timing natural não permite sincronizar com a doadora. Folículo fora da janela ou impossibilidade de monitorar a ovulação da receptora.

DiaConduta
Dia 0 (ovulação da doadora)PGF2α dose dobrada + 17β-estradiol 10 mg IM
Dia 1PGF2α dose dobrada + 17β-estradiol 20 mg IM
Dia 217β-estradiol 10 mg IM
Dia 3Sem medicação. Intervalo para regressão do edema uterino
Dia 4Iniciar P4 injetável
Dia 8Transferência do embrião
Por que dose dobrada de PGF nos dois primeiros dias?

Garante luteólise completa mesmo que a receptora tenha CL jovem e pouco responsivo.

Manutenção

Continuar P4 exógena até ~120 dias.

2. Fase de Progesterona: Janela Mínima e D0

D0 da receptora = aplicação da P4 (protocolo preparado) ou ovulação confirmada (receptora cíclica). A TE convencional ocorre no D8.

SituaçãoDias mínimos de P4 antes da TEObservação
Receptora preparada (E2 exógeno)≥ 3 diasP4 sobe mais rápido após preparo estrogênico
Receptora cíclica (ovulação natural)≥ 4 diasCL leva ~2 dias para atingir P4 funcional após ovulação
Receptora cíclica em D3Suplementar P4 exógena agora; depois o CL assume. Não descartar.

3. Implante vs. P4 Injetável

ParâmetroImplante (1,9 g)P4-300 Injetável
Pico de P4~6-8 ng/mL em até 24h~15 ng/mL em 24h
CurvaSobe rápido, cai rápidoSustentada por 7-14 dias
Necessidade de trocaSim. Trocar antes do diagnósticoReaplicar a cada 7 ou 14 dias
Risco de bloqueio prolongadoNãoSim (ver ficha Progesterona, Cap. 4)
Risco de vaginiteSim: aplicar Terracam Spray ou Terracortril antes da inserção -
Atenção: Sustentação do implante

O implante pode não sustentar P4 acima de 6 ng/mL a médio prazo. Em receptoras de alto valor, considerar associar P4 injetável ou monitorar P4 sérica.

Implante de 1 g vs. 1,9 g

Implante de 1 g → apenas para antecipar ciclicidade, não para suporte gestacional. Para sincronização e gestação → implante de 1,9 g.

Caso especial: Embrião vitrificado (ICSI)

Quando o embrião já está produzido e aguarda receptora, a lógica muda: não há urgência de coleta, e a janela da receptora pode ser planejada com mais precisão. O embrião ICSI é transferido no estágio de blastocisto precoce, equivalente a um embrião in vivo de ~D6-6,5.

Janela ideal
  • Janela ideal: receptora em D4 de P4 (D4-D5 são aceitáveis)
  • Dupla ovulação em D3: aproveitável. Dois CLs geram P4 maior, compensando o dia a menos
  • Embriões vitrificados: janela pode ser ainda mais estreita. Preferir D4

Qual receptora recebe o embrião? Doppler como desempate

Entre receptoras que passam pelos critérios clínicos com desempenho semelhante ao modo B, o Doppler colorido do CL ajuda a priorizar.

Como funciona?

CL com alta perfusão vascular ao Doppler indica estrutura ativa e bem vascularizada, mais apta a sustentar a gestação do que um CL de aspecto similar ao modo B mas com sinal vascular reduzido.

Não é exame de rotina obrigatória. É um desempate objetivo quando o modo B não distingue.

Doppler do CL - perfusão vascular de 5% a 90% em receptoras
Avaliação subjetiva da perfusão vascular do CL ao Doppler em receptoras. A = 5%, B = 10%, C = 20%, D = 30%, E = 50%, F = 60%, G = 70%, H = 80%, I = 90%. Fonte: Azevedo et al. (2021).
Capítulo 7

Casos de Campo

Casos de IA

Caso 1: A Égua que Ovulou "Rápido Demais"

Égua Mangalarga induzida com Histrelina às 18h (folículo 35mm, edema grau 3). Veterinário retorna 36h depois para IA com sêmen refrigerado. Égua já ovulada, cérvix fechada e tensa.

Cérvix fechada = progesterona já subindo significativamente → ovulação provavelmente há >12h. Algumas éguas respondem mais rápido que a média (36-48h).

IA realizada com baixa expectativa. Probabilidade de concepção muito reduzida pelo envelhecimento do oócito.

Lição

Anote as particularidades de cada égua. No próximo ciclo, programar IA para 24h após indução com monitoramento mais próximo.

Caso 2: Folículo Grande Sem Edema

Égua obesa, final da estação. Folículo chega a 50mm mas SEM edema uterino. GnRH não induziu ovulação → folículo luteinizado/hemorrágico. PGF2α não lisou a estrutura.

Obesidade + final da estação = fatores de risco para disfunção ovulatória. Ausência de edema com folículo grande = ambiente estrogênico inadequado.

Lição

Edema uterino é tão importante quanto o tamanho do folículo. Dissociação entre os dois = sinal de alerta. Investigar: CL residual? Condição corporal? Ajustar dieta (baixo amido) + exercício.

Casos de Receptoras e T.E.

Caso 3: Perda Gestacional por Janela de Progesterona Baixa

Receptora acíclica preparada com estrógeno + implante de progesterona. T.E. bem-sucedida, gestação perdida aos 27 dias. Causa provável: janela de progesterona baixa entre a remoção do implante e a absorção da P4 injetável.

Lição CRÍTICA

Ao trocar fontes de progesterona, sobrepor os tratamentos por no mínimo 48h. Para conduta detalhada, ver Caso 10.

Caso 4: Receptora com CL + folículo ≥35 mm

No dia da indução da doadora, a receptora apresenta CL + folículo ≥35 mm. Melhor cenário possível.

Receptora com folículo pronto, mas não se pode induzir antes da ovulação confirmada da doadora.

Conduta

Aplicar PGF2α para lisar o CL. Não induzir a ovulação agora. Aguardar ovulação da doadora, depois induzir ou deixar ovular espontaneamente. TE no D8 (receptora ~D6 de CL).

Caso 5: Receptora acíclica (sem folículo, com ou sem CL)

Receptora sem folículo, sem estrógeno endógeno. Precisa de protocolo hormonal completo.

Conduta

Se houver CL, aplicar PGF2α primeiro (2 doses se CL recente) → 5 dias de estrógeno sem P4 → No D4 da doadora iniciar P4 (= D0 da receptora). TE no D8. Manter P4 até ~120 dias. Depende totalmente de P4 exógena.

Caso 6: Receptora com CL + folículo ~14 mm

Receptora com folículo de ~14 mm em crescimento, ainda sem edema uterino.

Com 14 mm o estrógeno endógeno ainda não é suficiente para gerar edema, mas vai ser. Crescendo ~3 mm/dia, em ~7 dias estará em 35 mm. Não precisa de estrógeno exógeno.

Conduta

PGF2α para lisar o CL → monitorar crescimento folicular → quando atingir ≥35 mm + edema, confirmar ovulação da doadora e induzir a receptora. Após ovulação da receptora, iniciar P4 exógena imediatamente e manter por ~7 dias até o CL próprio assumir. TE no D8 da receptora.

Atenção

O timing precisa ser calculado a partir da doadora. A receptora deve ovular de forma que seu D8 coincida com a data da coleta. Se o folículo estiver crescendo rápido demais ou devagar, ajustar com indução ou nova PGF2α conforme necessário.

Caso 7: Receptora formou FAH (Folículo Anovulatório Hemorrágico)

Receptora acompanhada para ovular, mas formou folículo hemorrágico anovulatório.

O FAH não ovulou, mas o útero passou pela fase estrogênica. Ainda utilizável se sabemos quando se formou. Porque conseguimos definir o D0 e iniciar P4 exógena no momento certo.

Conduta

Iniciar P4 exógena no momento em que a ovulação deveria ter ocorrido = D0. TE no D8. Manter P4 durante toda a gestação. FAH não produz P4 adequada.

FAH de ciclo anterior sem histórico → NÃO utilizar

Sem saber quando se formou, não há como definir o D0.

Caso 8: Folículo da receptora atinge 35 mm no D5 da doadora

Folículo da receptora atinge 35 mm no D5 da doadora. Pronto, mas "atrasado".

O pico de LH endógeno provocado pelo indutor sobrepõe a inibição da P4. É possível aplicar ambos ao mesmo tempo.

Conduta

Indutor + P4 simultâneos. P4 por ~7 dias até CL próprio assumir. TE no D8.

Caso 9: Receptora com folículo ≥35 mm mas sem edema

Receptora com folículo ≥35 mm mas sem edema uterino. Estrógeno exógeno não está sendo utilizado.

Conduta

PGF2α antes de descartar. Reavaliar em 24-36h. Se o edema aparecer, a égua é utilizável. CL residual não identificado é a causa mais comum.

Caso 10: Transição de implante para P4 injetável

Receptora gestante com implante intravaginal. O veterinário remove o implante e aplica a P4 injetável no mesmo dia.

A P4 injetável leva tempo para atingir níveis plasmáticos adequados. Ao remover o implante no mesmo dia, há uma janela de progesterona baixa que pode causar perda gestacional.

Conduta CRÍTICA

Iniciar a P4 injetável e remover o implante somente 2 dias APÓS. Nunca remover antes. Sobrepor os tratamentos para evitar queda abrupta de progesterona.

Caso 11: Quando iniciar dupla ovulação?

O protocolo precisa começar quando os folículos estão entre 20 e 25 mm. Acima de 25 mm no folículo dominante, a dominância já está estabelecida.

Maior folículo com 20 mm, segundo com 17 mm.

Resposta

Iniciar amanhã. Amanhã o maior terá ~23 mm e o segundo ~20 mm. Ambos na janela.

Maior folículo com 23 mm, segundo com 19 mm.

Resposta

Iniciar hoje. Amanhã o maior terá ~26 mm. Já estabeleceu dominância.

Regra prática

Sempre pensar no tamanho que o maior folículo terá amanhã (~3 mm/dia). Se ultrapassar 25 mm, iniciar hoje.

Capítulo 8

FAQ: Perguntas Frequentes

Melhor horário para induzir ovulação com sêmen congelado?
Induzir entre 20-22h. A ovulação ocorre durante o horário de trabalho, facilitando o monitoramento por US e o manejo da IA. Ver protocolo no Cap. 2.
Induzi e o edema sumiu mas o folículo não cresceu. Falhou?
Não necessariamente, mas confirme obrigatoriamente com US. A diminuição do edema é consistente com resposta ao indutor, pois indica queda de estrógeno. Porém, não confirma ovulação. Se o folículo manteve o tamanho ou cresceu em relação ao exame anterior, a indução provavelmente falhou. Se reduziu ou desapareceu, ovulou. Não interprete o edema sozinho.
Cloprostenol realmente funciona em éguas?
Sim. Ver ficha completa de Prostaglandinas, Cap. 4 (bloco "Eficácia comparativa").
CL com "buraco preto" no centro é ruim?
Não. CLs com cavidade central são comuns e perfeitamente funcionais. A luteinização ocorre na periferia. São tão eficientes quanto CLs compactos.
IP Reprodução Equina

M.V. Dra. Iara Macedo Petelinkar

Médica Veterinária (UFPB), Mestre em Ciência Animal (UFPB), Doutoranda em Biotecnologia Animal (UNESP Botucatu), Especialização em Reprodução Equina (IBVET). Experiência em campo com exames ginecológicos, exame andrológico, inseminação artificial, transferência de embriões e acompanhamento gestacional e neonatal de equinos. Ex-docente em Medicina Veterinária e ex-coordenadora do GERA - Grupo de Estudos em Reprodução Animal.

@iaranmacedo
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